sábado, 30 de abril de 2011

Reestruturação de Dívida Soberana – Para as Pessoas

Não poderia ser melhor. Qualquer ponto a mais de haircut é um sacrifício a menos que as pessoas vão ter que suportar. Quem pagará são os investidores da dívida, que perdem uma parte do seu dinheiro.
Mas atenção, não podemos olhar para isto como uma benesse. Nós somos os responsáveis pela dívida, temos é que ter vergonha pelo estado onde chegámos. E, acima de tudo, temos que demonstrar mais responsabilidade e vontade de dar a volta aos nossos problemas.
Não podemos olhar para esta situação como alguns olham, ao afirmarem que a culpa é dos nossos credores, não temos que lhes pagar nada, e ainda queremos sair da zona euro. Quem diz isso, não sabe o que diz, não sabe do que fala. Como alguém já disse, sair agora da zona euro é como voltar à Idade Média.
No final, teremos que procurar um compromisso para os sacrifícios a repartir entre os credores e a população e não esquecer que, após este evento, a nossa capacidade de ir ao mercado buscar dinheiro será impossível nos próximos 5 a 10 anos.
Esse será o tempo que teremos para fazer as reformas estruturais necessárias na nossa sociedade e na nossa economia, sempre com o apoio da União Europeia e do FMI, mas sobretudo com a nossa iniciativa e o nosso esforço.
As reformas vão ser complexas e terão consequências devastadoras no curto prazo. Vamos assistir ao aumento brutal do desemprego, às falências das empresas e das pessoas, ao incumprimento bancário. As pessoas vão ter menos dinheiro, através da redução dos salários e das prestações sociais. Não será fácil ter acesso ao crédito.
Ora, isto irá provocar uma queda no custo da mão-de-obra e no valor dos “assets” em geral em Portugal, ou seja, a deflação da nossa economia.
Esta será a base da nossa solução.

Diário do FMI em Portugal no Facebook

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Reestruturação de Dívida Soberana – Para os Mercados

Mas então é possivel fazer uma reestruturação “controlada” da dívida? É muito díficl responder a essa pergunta, mas realmente estamos melhor que há seis meses onde uma reestruturação implicaria a saída do euro e talvez o fim da moeda única.
Hoje, os mercados conseguem diferenciar melhor os créditos dentro do euro e observam uma resposta europeia mais sólida e unida. As medidas estão a ser tomadas lentamente, mas estão a ser tomadas.
Acima de tudo, os mercados já não acreditam num colapso da zona euro, mesmo com a reestruturação de dívidas soberanas. Foram criadas condições para a sustentabilidade do euro.
Por outro lado, uma reestruturação de dívida de um país do euro, levará a uma pressão insustentável nos outros países onde ainda existam dúvidas das suas capacidades creditícias, sendo logo afectados por contágio. Desta forma, todas as “ovelhas negras” serão rapidamente afectadas.
Realisticamente, isso é bom. O problema terá que ser resolvido no imediato, por todos e sem espaço para dúvidas, fortalecendo a União Europeia e o euro no final do processo.
Para os mercados, a questão da reestruturação é fundamental. Neste momento, já não temos as curvas de crédito normais na Grécia, Portugal e Irlanda porque o que define a taxa de juro não é o prazo, é o seu “cash price” em relação ao haircut esperado.
Vejamos, então, o caso grego:

Claramente, o que vemos a partir de 2015 é um “colar” do cash price nos 55%, o que representa um haircut de 45%. Realisticamente, o mercado já está a descontar o inevitável, os detentores das dívidas teoricamente deverão já estar a assumir esta perda por via da contabilização mark-to-market. Portanto, o risco deste evento provocar perdas inesperadas nos bancos alemães, franceses, etc. é diminuto.

Diário do FMI em Portugal no Facebook

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Reestruturação de Dívida Soberana – O Inevitável

Nos últimos dias, fala-se muito de reestruturação de dívida nos países que recorreram ao Fundo Europeu de Estabilização Financeira, com destaque para a Grécia, mas alguns mencionam também Portugal.
Os gregos foram os primeiros a pedir a ajuda externa e agora parece que todos começam a ver o óbvio, ou seja, que o montante em dívida é tão elevado e o desfasamento com o crescimento potencial da sua economia é tão marcado que não é possivel resolver esta disparidade sem reestruturar.
Como sabem, sempre fui relutante em acreditar que a Europa algum dia aceitaria uma solução de reestruturação “controlada” da dívida dentro da zona euro. Esta solução, do ponto de vista técnico, é uma reestruturação que não causa danos irreparáveis aos outros países europeus e, por isso,  não compromete a moeda única.
Mas a recusa dos responsáveis europeus de uma reestruturação da dívida na zona euro tem sido, sobretudo, política. Como quem diz aos mercados e ao mundo: sabemos que isso pode acontecer mas aqui não se fazem as coisas assim...
Neste momento, é claro que a solução passará por uma reestruturação. A austeridade provoca a recessão e, sufoca as economias e o crescimento. Deixa-nos no mesmo ponto, senão pior, no rácio de dívida sobre PIB.
A austeridade é necessária, mas devia ter sido implementada mais cedo. Nesse caso, chegaria. Actualmente, com os níveis de endividamento que temos, a austeridade não é suficiente e não nos vai restar outra solução que não seja reestruturar.
É isso que os líderes europeus não querem ver, ou preferem não ver. Há quem diga que isso será pior que a falência da Lehman Brothers. Acredito que não vai ser fácil, mas infelizmente terá de ser feito. Vejamos o que se passou nos E.U.A. onde a banca há pouco mais de 3 anos apresentava perdas brutais, que quase levavam todo o sistema financeiro ao colapso, e hoje vejam como os bancos americanos estão...
Aos gregos e também a nós, não nos resta outra solução. Eles vão ser os primeiros e abrem-nos a porta...

Diário do FMI em Portugal no Facebook

quarta-feira, 27 de abril de 2011

“Com o FMI Cá Quem Paga és Tu!”

Por estes dias, veremos pelas nossas ruas, nas cidades e vilas de Portugal, cartazes do Bloco de Esquerda com o seguinte slogan: “Com o FMI cá quem paga és tu!”.
Esta frase quase nos desresponsabiliza pela dívida do Estado que temos de pagar.
Ao contrário do que muitos pensam, a dívida de mais de 170 mil milhões de euros que Portugal deve, não é de José Sócrates, não é dos políticos, não é de uma entidade com que não temos nada que ver, é mesmo nossa!
O Estado somos todos nós e todos somos responsabilizados por ele. Não há que fugir, gostem ou não gostem.
Vir com slogans destes demonstra uma total falta de responsabilidade, contribuindo cada vez mais para a “deseducação” da nossa população através duma demagogia fácil e simplista. Sem se apresentar nem explicar outras soluções. Sem se preceber nem entender as consequências do que defendem.
Nós deixámos o Estado chegar a este ponto, através do exercício do nosso poder de voto, nós deixámos que nos guiassem por este caminho. Por isso, nós é que temos que nos responsabilizar pela nossa dívida.
Quem vai pagar a nossa dívida, na perspectiva do Bloco de Esquerda? Por favor, digam lá que eu tenho uma casa para pagar e pode ser que também me paguem o meu empréstimo...
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terça-feira, 26 de abril de 2011

25 de Abril ... 37 Anos Depois

Estamos a viver as piores horas do regime político que nasceu em 25 de Abril de 1974. Por isso, nos tempos que se aproximam, tudo irá ser posto em causa por todos, desde a “revolução dos cravos” até à própria democracia.

Neste blogue, temos alertado aqueles que nos seguem para esta realidade: temos um sistema socio-económico frágil e desequilibrado, um sistema politico-partidário corrupto e ineficiente, um Estado gordo e vulnerável.

Pois bem, tudo isto resulta da democracia como nós a vivemos e praticamos. Será, então, a democracia um regime tão perfeito como sempre nos fizeram acreditar?

Em democracia, temos o direito de escolha e, perante a lei, o voto, expresso por cada um, tem o mesmo peso na contagem final de cada eleição. Independentemente da nossa posição social, sexo, idade, cor da pele, ou saldo da conta bancária.

Mas se temos este direito, que é um verdadeiro poder nas nossas mãos, será que todos temos capacidade de o utilizar para o objectivo do bem comum? Será que todos estamos informados e cientes como o nosso país está e quais são as melhores soluções?

Não é possível termos uma democracia eficiente num país com um baixo nível de educação. Como é que vamos dar o poder da decisão a quem não sabe e só escolhe por uma cara bonita… e, depois, essa escolha vai afectar toda a comunidade?

Como é que uma democracia funciona sem justiça? Onde ninguém é responsabilizado pelos seus actos, onde os criminosos saem impunes nos seus crimes, onde os agentes da democracia (políticos) são mentirosos e corruptos… e nada lhes acontece.

É fácil manipular a população, cativar o seu poder, cativar o seu voto. Basta utilizar o poder que os políticos obtêm quando ganham eleições. O poder de fazer tudo com o dinheiro do Estado, que é o dinheiro dos nossos impostos, em seu benefício pessoal, dos seus amigos e dos interesses que o seu partido representa. Antes de cada eleição, basta distribuir as habituais “benesses” à população numa forma populista para “defender os mais necessitados”, subsidiar a preguiça e comprar votos. E tudo isto é feito com o nosso dinheiro para ganhar as eleições e conservar o poder.

Será este o objectivo do Estado? Eu penso que não. Em 37 anos, por duas vezes, vimos o apetite insaciável do Estado assaltar a sociedade e devorar a economia. No primeiro caso, logo após o 25 de Abril de 1974, os desmandos da revolução levaram-nos perto da bancarrota. Agora, no segundo caso, seguimos o mesmo caminho e fomos ainda mais longe … estamos na bancarrota!

Será que não aprendemos?  

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terça-feira, 19 de abril de 2011

Projecto Europa no Mundo Global

Estas décadas o projecto europeu afirmou-se, através de passos decisivos, desde a sua constituição até à criação da moeda única. Apesar da crise das dívidas soberanas, podemos dizer que é um projecto de sucesso. Mas, como tudo na vida, há sempre bons e maus momentos.
Num mundo mais global, onde os países emergentes rapidamente se estão a transformar em grandes economias, o espaço e o papel da Europa vai perdendo força. A economia mundial apresenta-se cada vez mais dividida entre os EUA e a China, numa bipolarização crescente em que a Europa perdeu competitividade, expressão económica e influência política.
O projecto da moeda única tornou-se fundamental para representar a ambição e o peso da Europa no mundo. Demonstrou a existência da Europa unida e próspera, com uma moeda forte, e que queria ganhar espaço na globalização. O euro seria a moeda das trocas económicas mundiais, capaz de rivalizar com o dólar americano.
E, até certo ponto, o euro foi ganhando o seu espaço. Antes da crise das dívidas soberanas dos periféricos, já se falava do petróleo passar a ser negociado em euros. A moeda ganhou força e representou cada vez maior estabilidade e segurança para os investidores e as trocas comerciais, justificando a aposta dos agentes económicos na sua utilização crescente.
Mas depois surgiram os problemas na eurozona e a moeda perdeu valor, estabilidade e credibilidade. Neste momento, o sucesso do euro representa o sucesso da Europa. Sem o euro, a Europa tem muito pouco para dar nesta economia globalizada.
Os líderes europeus têm que entender que o arrastar desta crise só levará a maior descrédito do euro e a maior descrédito da Europa. A solução está à frente dos olhos e será dura para todos, mas só assim vamos construir uma moeda mais forte, logo uma Europa mais forte.
No Facebook: http://www.facebook.com/pages/Di%C3%A1rio-do-FMI-em-Portugal/167717276588727

segunda-feira, 18 de abril de 2011

O Futebol da Política

Muitos de nós quando nascemos somos empurrados para um clube de futebol pelos nossos pais ou pelos nossos avós, seguindo uma tradição de familia. Os poucos que escapam a este “empurrão” que os aguarda à saída do berço, acabam por, mais cedo ou mais tarde, dar a sua preferência a um determinado clube.
Independentemente da razão dessa escolha, para quase todos essa será uma escolha para a vida, nos bons e nos maus momentos, sempre fiéis ao seu clube. O problema é que muitos transportam esta lógica para a política. E nada mais errado do que pensar que o futebol e a política são a mesma coisa.
Os partidos políticos defendem ideologias diferentes, eles possuem uma visão dos problemas que os distingue. Para esses problemas, apresentam propostas e soluções que estão de acordo com diferentes visões da sociedade, hierarquias de valores, e o relacionamento entre o Estado e a cidadania.
Por outro lado, também cada um de nós se identifica melhor com um determinado modo de ver o mundo que se enquadra depois numa certa ideologia e prática políticas.
Por exemplo, a defesa dos direitos humanos e das liberdades individuais, o direito ao bom nome e à propriedade privada, o sufrágio universal, a democracia representativa e o papel limitado do Estado na economia e na vida dos cidadãos. Estes seriam os valores que serviriam de base a uma certa escolha política e partidária.
A realidade demonstra-nos que a nossa envolvente no mundo é dinâmica. Através de experiências que ocorrem enquanto vivemos, aprendemos e adaptamos a nossa vida às nossas vivências e o nosso pensamento muda com frequência influenciado por essa realidade que nos cerca.
Tudo isto é normal e foi estudado por sociólogos, psicólogos, filósofos, etc. Quem diz que nunca mudou de opinião, ou mente ou comete constantemente erros por temosia.
Mas hoje em Portugal, o voto num determinado partido não tem nada que ver com a sua ideologia, bem pelo contrário. Porque a ideologia e o programa eleitoral já estão escolhidos em circunstâncias que nós não controlamos e os partidos de governo terão que aplicar essas medidas com uma reduzida margem de manobra.
Quando votarmos, temos que perceber que estamos a votar num líder, num gestor, numa equipa de trabalho. E ao contrário do futebol, uma mudança agora no nosso voto tradicional não pode ser vista por nós como uma traição. Será antes mudar para escolher quem acreditamos irá servir melhor os interesses de Portugal.
Para concluir, quem segue a prática futebolística na política é cego nos seus interesses. Não consegue ouvir os outros e aceitar outras ideias, nessa teimosia persistente. E acaba por escolher mal, sem ter em conta quem realmente é capaz de liderar, quem tem competência, quem tem mérito e capacidade para nos conduzir para fora deste buraco...

domingo, 17 de abril de 2011

Diário do FMI em Portugal no Facebook

Para estarmos mais próximos dos nossos seguidores e estimulados pelo sucesso que o blog estava a ter, criámos em Outubro do ano passado a página oficial do Diário do FMI em Portugal no Facebook.
Mas a falta de tempo e as limitações do trabalho “voluntário” atraiçoaram as nossas boas intenções. Durante meses, nunca foi comentado nenhum tema nem partilhada qualquer informação no mural. Mas isso vai mudar agora. A equipa do Diário do FMI em Portugal irá, a partir de amanhã, passar a deixar comentários e a partilhar notícias e análises no nosso mural do Facebook.
O objectivo é ter mais informação ao longo do dia, desde actualidades económicas, políticas e sociais. Desde notícias, dados económicos, comentários, etc. Queremos ter mais debate de ideias, opiniões e o vosso feedback. Queremos ter mais interacção com quem nos segue.
E, claro, em paralelo, continuaremos a ter o comentário diário no blog que poderá dar sempre o mote e ser um ponto de partida para uma discussão no Facebook.
A Equipa do Diário do FMI em Portugal
Link: http://www.facebook.com/pages/Di%C3%A1rio-do-FMI-em-Portugal/167717276588727

sábado, 16 de abril de 2011

Troca-tintas

Hoje deixo aqui um excelente filme que se encontra no You Tube:
http://www.youtube.com/watch?v=BDwSzZAYRMU&feature=related
O melhor esta na parte final onde ficamos a saber que Sócrates nos levou à falência… de propósito!

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Globalização

Quem pensa que a solução do nosso problema está simplesmente na compra de produtos nacionais, não percebeu a dinâmica do mundo de hoje. Está fechado em casa e ainda não abriu a porta.
Queiramos ou não, vivemos numa economia global e para vender temos que ser competitivos. Não podemos querer vender por “decreto” ou por “obrigatoridade”, esse é o caminho mais simples mas que não nos vai levar a lado nenhum.
Querer abandonar o circuito da globalização, ou impor normas restritivas aos produtos vindos do exterior, tornará Portugal uma espécie de Cuba europeia, uma Venezuela sem petróleo. Acreditem, ficaríamos muito pior. O processo da globalização não parou, apesar da crise mundial, e não parará. Até a “socialista” China já embarcou nesta viagem.
Soares dos Santos, Presidente da Jerónimo Martins (Pingo Doce) disse que as pessoas não compram os produtos só por serem nacionais, mas que procuram sempre a melhor relação qualidade-preço e é isso que vende.
Temos, então, que ver o nosso problema de outra perspectiva. O consumidor terá sempre o direito e a decisão de escolher. Escolherá sempre o melhor para ele, não apenas na qualidade mas também pelo preço.
Qual é o sentido de eu comprar umas batatas nacionais que têm uma boa qualidade mas que são bem mais caras que outras batatas internacionais com a mesma qualidade? Provavelmente, seguindo este raciocínio, a meio do mês já não terei dinheiro nem para produtos nacionais ou internacionais. O mesmo se passará com a qualidade porque se tem má qualidade, não nos vamos alimentar correctamente e provavelmente irá quase tudo para o lixo.
Pois bem, talvez a solução não passe pela alteração dos hábitos dos consumidores, talvez a solução esteja mesmo na competitividade dos nossos produtos. Se os nossos produtos tivessem melhor qualidade e menor custo, tenho a certeza que não estávamos aqui a discutir este tema. E há casos em que as coisas se passam assim, e esses são os casos de sucesso. Infelizmente, são muito poucos para a dimensão da nossa economia.
O problema que temos é a competitividade dos nossos produtos, e a sua resolução não passa pelo consumidor mas sim pelo produtor. Não por culpa própria, ganância ou incompetência, mas porque há um ambiente de negócio desfavorável em Portugal. Num contexto onde faltam uma livre concorrência e uma justiça rápida e eficaz, onde sobram taxas, impostos e burocracia, o que existe, de facto, é uma verdadeira “perseguição” à iniciativa, à inovação e ao empreendorismo...

quinta-feira, 14 de abril de 2011

24 de Fevereiro de 2011 – O Dia em que o Governo Caiu

Cada vez mais a internet é uma “arma” fundamental na transmissão das mensagens políticas dos partidos. O PS e José Sócrates não são excepção.
Então vejamos o site que foi criado para a campanha das legislativas a realizar-se agora no dia 5 Junho:
Até aqui tudo bem.
Para quem domina mais a internet, sabe o que é a ferramenta: http://whois.domaintools.com/ Não é mais que o site que nos permite visualizar o dono do domínio (endereço na Net) e suas características.
Se fizermos o teste para o site da candidatura de José Sócrates os resultados serão os seguintes:
Registration Service Provided By: Flesk Telecom Lda
Contact: 

Visit: http://www.host-services.com
      
Domain name: socrates2011.com

Registrant Contact:
   Partido Socialista
   Pedro Filipe Joao Henriques ()
 
   Fax:
   Largo do Rato, n2
   Lisboa,  1269-143
   PT

Administrative Contact:
   Partido Socialista
   Pedro Filipe Joao Henriques (
)
   +351.213822000
   Fax: +351.213822000
   Largo do Rato, n2
   Lisboa,  1269-143
   PT

Technical Contact:
   Partido Socialista
   Pedro Filipe Joao Henriques (
)
   +351.213822000
   Fax: +351.213822000
   Largo do Rato, n2
   Lisboa,  1269-143
   PT

Status: Locked

Name Servers:
   ns1.euestouaqui.com
   ns2.euestouaqui.com
 
Creation date: 24 Feb 2011 12:40:00
Expiration date: 24 Feb 2012 07:40:00

Vemos então quem é o proprietário do site, quem o criou, a sua morada, etc. Tudo normal, como esperado. Até que salta à vista a data de criação do site:  24 de Fevereiro de 2011!
Mas nessa altura as eleições já estavam marcadas?... O governo já tinha caído?... Já havia ameaças no ar?... Nessa altura já se tinha apresentado o PEC IV?... Cavaco Silva já tinha tomado posse e feito aquele discurso que (supostamente) levou à queda do governo?...
Pois bem, nessa altura tudo andava calmo, pelo menos aparentemente…
Na realidade, o que hoje sabemos é que um PEC IV estava a ser delineado, assim como a queda do governo…
A estratégia estava montada, a peça de teatro ia começar… E hoje estamos a vê-la, hoje estamos a senti-la. Perante a verdade à frente dos nossos olhos, sabemos que tudo isto foi programado, delineado, como se numa guerra estivessemos.
Só não acredita quem não quer…

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Corrupção - Parte II

Já falámos ontem da corrupção em pequena escala que destrói os valores da nossa sociedade. Falemos agora da grande corrupção em Portugal. O “polvo”, como alguém lhe chamou um dia.
Esta é corrupção que domina os bastidores da política e da economia através do tráfico de influências, trocas de favores, favorecimento e clientelismo, subornos, fraudes, falsificações, etc.
Cresceu apoiada num modelo político, económico e social, complexo e vulnerável, onde as mesmas pessoas, e os interesses que elas representam, se misturam nos partidos políticos, maçonarias, grupos económicos e financeiros, grandes empresas, clubes de futebol e fundações.
Na administração central, autarquias, partidos políticos, bancos, grupos ecónomicos, escritórios de advogados, movimentam-se milhares de milhões de euros que escapam ao escrutínio democrático, à máquina fiscal e às sanções da justiça.
O dinheiro não tem côr e fala sempre mais alto. Este jogo perverso, reservado a alguns privilegiados que roubam, alimenta-se de off-shores, pagamentos de luvas, emissão de garantias falsas, avaliações fraudulentas, falsificação de documentos, etc. O rol de crimes é infindável. E o crime compensa. É uma teia gigante que controla tudo e todos, com um poder que muitos nem imaginam.
Os criminosos passeiam-se na nossa sociedade com cinismo e impunidade, porque sabem que a justiça não os agarra. O pior é que todos sabemos quem eles são. Quem trabalha para eles sabe bem os podres que eles carregam, mas ninguém diz nada porque ninguém confia na nossa justiça.
O mau funcionamento dos tribunais afasta os cidadãos e impede a justiça de ser feita, com custos incalculáveis para o nosso futuro.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Corrupção – Parte I

É díficil escrever sobre corrupção e fugir aos lugares comuns. A indignação, por si, também não resolve nada. Sei bem que é um problema que vem muito de trás.
Portugal é um paraíso para os corruptos. Ao contrário de outros países, temos uma justiça que não investiga e não castiga os culpados e uma sociedade onde toda a gente aceita comportamentos situados no limiar da corrupção, como os favores e as cunhas, que são vistos como normais.
Quando se fala de cunhas e favores, parece-nos um tipo de corrupção menor, sem grandes consequências para a sociedade, é quase como um acto normal. Na realidade, o que estamos a fazer é destruir o mérito, o esforço, a persistência, a honestidade e a decência na relação entre as pessoas.
Como esta mentalidade está entranhada na nossa cultura, resulta que quem não pactua com ela é o “inimigo”, hostilizado e perseguido por todos. Por isso, não irá longe na sua vida profissional, independentemente do seu mérito ou do seu esforço.
Os politicos dizem-nos que estão a construir um Portugal mais justo e com mais oportunidades. É areia para os nossos olhos. Estamos a perder este combate. Há cada vez mais corrupção e maiores desigualdades no nosso país.
E tudo principia pela corrupção de “pequena escala” que destrói a igualdade de oportunidades e a recompensa do mérito na sociedade e na economia.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Imaginação

Hoje li este fantástico artigo de Isabel Stilwell que gostava de partilhar convosco. Está muito bom.
Cavaco Silva e o apelo à imaginação europeia
Isabel Stilwell
Cavaco Silva surpreendeu ao vir dizer que ‘Ah e coisa e tal’, não era governo, não tinha ministros, nem técnicos, nem máquinas de calcular, mas é claro que estava disponível e cooperante, mas só para ajudar a fazer a prova dos nove, e discretamente, claro.
Depois de apelar à urgência de um entendimento para se encontrar uma solução para a crise económica, pondo os interesses da Nação à frente dos partidários, veio agora pedir à Europa «um programa interino, para que o próximo Governo participe nas negociações finais», acrescentando que «precisamos de alguma imaginação das instituições europeias para encontrar um programa interino apropriado».
Horas depois, recebeu a resposta de Olli Rehn, comissário europeu para os Assuntos Económicos, que protestou: «Já mostrámos tanto imaginação, como responsabilidade, no que toca a ultrapassar as dificuldades económicas de Portugal», acrescentando: «Para bem de Portugal e da Europa preferia não ter um diálogo público diário com os líderes portugueses.»
Pois, como diriam os miúdos da escola, «escusávamos de ter ouvido esta». Agora pedimos imaginação aos tipos que depois de analisarem as nossas contas públicas já sabem que mais imaginativos do que os portugueses não há? As formas criativas e engenhosas como desbaratámos o que era nosso, o que recebemos de subsídios e de apoios e o que pedimos emprestado e agora não podemos pagar provam que nesse capítulo ninguém nos bate. É preciso lata para vir agora pedir-lhes que puxem pela cabeça.
Objectivamente só vai haver um programa eleitoral para as próximas eleições: aquele que o FMI decidir. É essa a condição do empréstimo, como o Presidente da República e todos os líderes partidários sabem. Em Junho não vamos eleger medidas, mas, quanto muito, aqueles que acreditamos que sejam mais capazes de as pôr em prática.

domingo, 10 de abril de 2011

Irresponsáveis

Apesar de já estar confirmado o pedido de ajuda formal de Portugal à UE/FMI, não queria deixar de comentar um evento que antecedeu o nosso resgate. Estou a falar do último leilão de dívida pública em que o Governo obrigou a Segurança Social e outras entidades públicas a comprar grande parte da emissão.
Isto representou bem a falta do sentido de responsabilidade do governo nesta matéria, a sua estratégia imediatista, o estar sempre contra tudo e contra todos, para além das consequências e sem olhar aos efeitos das suas decisões no médio e longo prazo.
O Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social já é composto por 55% em dívida pública portuguesa, o que representa uma exposição de mais de 5 mil milhões de euros, num só risco. O que vai contra todos os príncipios básicos de gestão de carteiras e de diversificação, baseados no Teorema de Markowitz.
É evidente que esta exposição excessiva não existe por questões estratégicas de investimento, mas sim por questões políticas.
Agora, imaginem que vamos ter que reestruturar a nossa dívida no futuro, um cenário bem real, com um hair-cut de 30% para os nossos investidores. Podemos dizer adeus ao dinheiro para as nossas pensões onde ele já faz muita falta!
Tudo porque um governo não assumiu as suas responsabilidades, só pensou em termos de jogadas políticas, indiferente aos custos para a economia, só pensou em conservar-se no poder e não no bem-estar dos seus cidadãos.

sábado, 9 de abril de 2011

That´s What Friends are For

Nada melhor para resumir o Congresso do PS que o filme exibido no próprio Congresso intitulado “Filme História PS”. A banda sonora não podia encaixar melhor nos seus protagonistas.
E era meu desejo deixar essa bela película aqui para todos verem. Mas há momentos, a censura PS apagou do seu site essa magnífica curta-metragem. Todas as outras se mantiveram, menos essa, sabe-se lá porquê…
Deixo aqui o link do site para todos comprovarem, com a esperança que tudo isto não passe de um “problemas técnico” e voltemos a ver essa bela obra cinematográfica:
De qualquer forma, deixo aqui uma breve descrição efectuada por um jornalista presente no Congresso que teve a sorte de ver em primeira mão este sério candidato aos Óscares, na categoria de melhor curta-metragem dramática… para os Portugueses.
O congresso tem um hino: 'É para isto que servem os amigos'
por Manuel A. Magalhães
«That's What Friends are For», na voz de Dionne Warwick, depois das luzes se baixarem, serviu de banda sonora de um filme sobre a história do PS. A letra parecia a expressão musical das várias juras de fidelidade que hoje se ouviram no congresso, feitas a José Sócrates por antigos opositores (Manuel Alegre) ou putativos rivais (Francisco Assis, Carlos César e António Costa).
Depois dos abraços comovidos que todos estes dirigentes deram a José Sócrates, ao longo do dia, as palavras do clássico «That's What Friends are For» resumiram tudo em verso.
«Continua a sorrir, continua a brilhar/ Sabendo que podes sempre contar comigo, sem dúvida/ É para isto que servem os amigos/ Nas horas felizes e nos tempos adversos/ Estarei sempre a teu lado/ É para isto que servem os amigos».
Sob esta banda sonora desfilaram imagens dos antigos líderes, em episódios marcantes da história do PS.
Imagens de Mário Soares na fundação do PS (muitas palmas), de Manuel Alegre, discursando no PREC (palmas), mais imagens de Soares, na adesão à CEE, depois de Vítor Constâncio (o único que ficou sem palmas), de Jorge Sampaio, em campanha para a câmara de Lisboa e como PR (palmas).
O guterrismo está vivo. Viu-se quando António Guterres recebeu imensas palmas enquanto passava na tela gigante da Exponor (em Timor com Xanana Gusmão e com José Saramago, em momentos da sua governação, com imagens da apresentação do Euro 2004.
Neste aplaudómetro, também se destacou Ferro Rodrigues (que de seguida foi apresentado ao vivo como cabeça-de-lista às eleições e esteve no palco do congresso).
Embalados pela música e pela emoção dos momentos de glória do PS, chegou o auge do filme evocativo: José Sócrates. Com imagens alusivas ao Simplex, ao computador Magalhães, ao Tratado de Lisboa, a anteriores congressos, às últimas presidenciais, a vários momentos da governação socrática, os delegados levantaram-se e aplaudiram durante minutos o líder.
«É para isto que são os amigos».

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Economia e Política

Sinto que ultimamente só falo de política. Parece que esqueci o meu objectivo de explicar, neste blogue, a realidade económica do nosso país. Mas, pensando friamente, para compreender a economia, temos que compreender a politica. Não apenas a interna, mas principalmente a externa.
Temos que tentar entender não só a actualidade, mas também o passado. Ao sermos capazes de analisar e compreender o passado, conseguiremos desenhar uma linha para o futuro.
A política não é apenas a sucessão de jogos tristes a que assistimos em Portugal. Isso é o pior da política. A política de verdade é a estratégia, o posicionamento e a orientação que um Estado assume, de forma coerente e sistemática, para contribuir para a evolução da sua sociedade e para o bem comum. Essa é a verdadeira Política.
Os jogos mesquinhos da pequena política provocam exactamente o contrário, crispam e enfraquecem a sociedade, porque beneficiam uns e prejudicam outros. No fundo, escondem a realidade. Porque enquanto se brinca à política, a política de verdade é esquecida...   

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Nós por lá

Seleccionei três comentários de analistas estrangeiros que espelham bem a opinião que existe no exterior sobre Portugal. São comentários antes e após confirmação de pedido de ajuda. Partilho aqui para vossa leitura:
Financial markets have long priced in the idea of a Portuguese bailout,” said Paul Donovan, deputy head of global economics at UBS AG in London. “It has been widely anticipated by everyone except, it would seem, the Portuguese government.”UBS
With a poor track record in terms of economic growth and significant current account imbalances, markets will likely focus on Portugal's ability to sustainably expand at a reasonably fast pace, especially in the light of higher interest and exchange rates. Portugal seems slightly more vulnerable than the EMU average on both fronts. Portugal is in a low productivity and poor competitiveness trap, in our view. So the rebalancing process has a structural nature and will likely take place over an extended period of time. The ability to implement sufficient growth-enhancing reforms is key.Morgan Stanley
“Perhaps the best thing that could happen would be acknowledgment that Greece, Ireland and Portugal face significant solvency challenges, and some or all of them will need to restructure their sovereign and sovereign-guaranteed debt,” Balls wrote. “Greece’s second review of its program with the International Monetary Fund made clear that the program is not working. It looks close to certain that Portugal will have to call on the support of its European partners and the IMF. The fact that its government fell last month has simply delayed the inevitable.”Pacific Investment Management Co.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Um Novo Futuro

A partir de hoje vamos saber toda a verdade.
A partir de hoje não vai haver mais jobs for the boys.
A partir de hoje não teremos mais um Estado gastador, controlador e abusador.
A partir de hoje não haverá mais fraudes, mais embustes e enganos.
Amanhã já não teremos crédito fácil.
Amanhã teremos mais desemprego e menos subsídios.
Amanhã haverá mais luta e contestação.
Amanhã teremos menos dinheiro.
No fim teremos todos novas oportunidades para crescer e desenvolver.
No fim teremos mais justiça, mais sociedade, mais cidadania.
No fim o mérito, a ética e a responsabilidade serão valorizados.
No fim estaremos bem melhor que hoje.

O inevitável aconteceu, a ajuda externa chegou. A partir de agora temos todos que trabalhar para tomar as decisões correctas, plenear e definir o melhor para Portugal.
Os próximos tempos serão dificeis mas sei, e acredito, que todos juntos vamos fazer um Portugal melhor. Para nós e para os nossos filhos!
Viva Portugal! 

terça-feira, 5 de abril de 2011

A Realidade dos Números

Vamos então analisar uns gráficos que fiz para expor a realidade do endividamento do Estado ao longo de mais de 20 anos.
Começo pela evolução nominal da Dívida Bruta e PIB desde 1987 a 2010:


Agora seguimos com um comparativo de evolução da Dívida Bruta versus PIB Nominal com base 100 em 1987:

Por fim, apresento aqui um gráfico que para mim não é mais que um resumo dos dois anteriores gráficos. Trata-se da comparação do crescimento do PIB em cada ano contra o endividamento do respectivo ano. Isto é, representa a “rentabilidade” gerada pelo endividamento obtido. Sendo que, em caso positivo, o PIB cresceu percentualmente mais, do que a dívida bruta. Então vejamos:

Eu queria apenas salientar que desde 2001 não temos um único ano onde o PIB Nominal tenha sido superior ao nosso endividamento. As conclusões estão à vista de todos, não é preciso ser economista, gestor ou matemático…
Fonte dos Dados: INE e Banco de Portugal

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Madoff Sócrates

Pensado de uma forma criativa, José Socrates pode ser considerado o principal responsável por uma das maiores fraudes financeiras, ao nível de um Madoff, e utilizando, como ele, a mesma técnica: o famigerado esquema piramidal.
Madoff criou um hedge fund que prometia e pagava rentabilidades muito atractivas. Mas, na realidade, não existiam investimentos e, muito menos, rentabilidades. Os seus investidores mais antigos eram remunerados com a entrada de dinheiro dos novos investidores numa dinâmica perversa de pirâmide.
José Socrates pedia crédito nos mercados, prometendo pagar um juro, e garantia crescimento no país para ter capacidade de pagar essas responsabilidades. Mas, na realidade, esse investimento no crescimento nunca era feito, acabávamos por não crescer, e só conseguíamos pagar as supostas rentabilidades pedindo novos créditos com juros cada vez mais altos.  Sempre com novas dívidas para pagar dívida antiga, num verdadeiro esquema piramidal.
No caso Madoff, já muitas vozes tinham alertado para o esquema, após fazerem os seus estudos e as suas análises. Mas poucos acreditaram, ou não quiseram acreditar, dadas as “rentabilidades” que iam obtendo.
Também com José Sócrates muitos avisaram os Portugueses, aqueles que estudam, analisam e acompanham a nossa situação económica e financeira. Mas, como todos, uns mais outros menos, íamos “ganhando” alguma coisa com isto, nada fizémos.
Quando Madoff foi apanhado pela justiça, ficaram com todos os seus bens e de outros elementos da sua família. Utilizaram-nos para compensar, dentro do possivel, os investidores vítimas desta mega fraude, dado que não existia nenhum tipo de activos no fundo.
Mas, ao contrário de Madoff, o “fundo” de Sócrates tem activos. Contudo, esses activos não asseguram uma rentabilidade suficiente que permita a Sócrates ir pagando aos investidores, levando o fundo à bancarrota. Agora, que fomos apanhados pela “justiça financeira”, quem vai ter que pagar aos credores são os activos do fundo, esses é que estão ser dados como garantia. E esses activos somos nós!
Madoff está preso... Sócrates nunca estará...

domingo, 3 de abril de 2011

Privatizações

Muito se tem falado sobre possíveis privatizações, nomeadamente na CGD.
O PS, como sempre, ataca o PSD acusando-o de ser o grande mobilizador das privatizações, o grande vendedor das nossas joias.
Mas a realidade é bem diferente. Apresento aqui o montante total em privatizações desde Cavaco Silva:
Agora cada um que tire as suas próprias conclusões...
Os dados deste quadro foram retirados de um site bastante interessante que convido todos a visitarem: www.eugeniorosa.com.
Trata-se de um site elaborado por um economista português, membro do gabinete de estudos da CGTP. Tem dados e informação bastante interessantes, embora não concorde com muitas conclusões e perspectivas que este economista defende.

sábado, 2 de abril de 2011

Meu Querido Mercado

Costa Pina referiu que a ajuda externa ia tirar-nos dos mercados pelo menos nos próximos cinco anos. E que isso era mau para o nosso país. Ora bem, o que vai acontecer quando pedirmos ajuda externa é que quem nos vai financiar será o FMI, não com 75 milhões de euros, como por aqui vi comentado, mas sim com os expectáveis 75 mil milhões de euros, por forma a não necessitarmos de ir aos mercados buscar dinheiro.
Agora fiquei um pouco baralhado. Os mercados, segundo o governo e muita gente que por aí anda, não são o bicho-papão que nos quer comer vivos…?? Afinal se temos outra solução então por que razão nos vamos atirar aos malvados bichos? Já para não dizer que essa solução será bem mais barata do que ir aos mercados… Ora, se é mais barata será mais fácil pagar… Penso eu…

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Cavaco Silva

A sugestão neste blogue de uma carreira de relações públicas para o Presidente da República causou algum espanto entre os seguidores mais fiéis, confusos com a aparente contradição com o que tinha aqui escrito sobre o discurso da tomada de posse de Cavaco Silva.
Talvez não me tenha explicado bem. No texto “O Discurso do Presidente” o meu objectivo foi enaltecer o discurso porque, em minha opinião, reflectia a realidade do país e a gravidade do momento que estamos a viver.
Finalmente, a figura do topo da hierarquia do Estado, na própria sede do poder político democrático representativo, dizia aquilo que todos sabemos que se está a passar em Portugal.
Neste blogue, desde o primeiro dia, sou e serei sempre a favor da verdade, diga quem a disser.
O problema com Cavaco Silva, antes e depois do Discurso do Presidente, é que ele tem dificuldade em passar das palavras aos actos. Os seus inimigos de estimação, e ele tem muitos, dizem que é frio, calculista e pouco corajoso. Os mais amáveis e compreensivos, dizem que não. Para eles, é apenas rígido, formal, institucionalista.
Entre uns e outros, os amigos e os inimigos, eu vejo que o resultado é o mesmo e foi isso que eu disse no meu segundo texto. Cavaco é apenas um relações públicas, experiente no acompanhamento de visitantes VIP e no protagonismo de grandes eventos, em Portugal e no estrangeiro.
No momento da verdade, em que se exerce o poder do cargo para que se foi eleito, o seu discurso de aceitação da demissão do governo, para a dissolução da AR e novas eleições, é mais um exemplo das suas hesitações e formalismos.
O PR sabe que já deviamos ter pedido a ajuda externa em Novembro de 2010, ou mesmo antes, e sabe também que agora, neste estado de calamidade financeira, cada dia que deixamos fugir é menos um dia para evitar mais desgraças. E mesmo assim, ele “chuta” para o governo a obrigação de pedir ajuda, não sendo capaz de tomar a iniciativa ou impor a sua vontade em nome do interesse nacional.
Neste momento não precisamos de palavras, precisamos de actos do PR e foi isso que eu defendi nos meus dois comentários. Peço desculpa por não ter sido claro.